22.11.05
Pisa.
as palavras são tuas
ou rituais?
elas te pedem
ou te acentuam?
assentam
na calçada
porque passas
ou, asceta,
te assaltam
as palavras?
Pisa, porra...
pfc 11/05
|
camaradas na atividade. Generalidades pontuais: binariogeral@yahoo.com.br Aceita-se camaradagem por escrito
Pisa.
as palavras são tuas
ou rituais?
elas te pedem
ou te acentuam?
assentam
na calçada
porque passas
ou, asceta,
te assaltam
as palavras?
Pisa, porra...
pfc 11/05
assim de reve
rasta a reste
a fronte infeste
dela quela
intela noite
nela
enfim descreve
o rinho do rumo
reme
o disto serene
que cânsia
o passerpente
afasta os nós
dos freixos
os peixes figos
não respiram
suausência
não conviram
onde sua represa?
[a minha
mestra]
pfc 11/05
flica perto. o sol nem sabe seu teto. no seu. alimento o dia com
segredos. nenhum é meu. como se ninguém ouvisse, ou se.
que tanta conversa assuna a noite insone? porque não circula o sonho
[o som]? que foi que se foi e se? falta uma letra no meu nome. ele me
esquece e me engole. entre seus olhos, sinto. é tanto que nem fora ou
dentro. e me parece coisa só. uma.
não vai silêncio que o passo não retorna. é não por não, porta atrás
de porta. porque você chora? vejo os ombros, sempre esse meneio que se
afasta, os pés roçando as ruas; muda e. lágrimas. o clima acre
lacrima. porque
você ruacima, eu laco. o tempo tem lacuna. o tempo tem nome: Taddei.
chora meu peito, sua enseada. o livro da nuca, a lavra, a bilha da lua
entre seus cílios. sussurra um filho em meu ouvido, não ouve o que
digo. o tempo não é comigo. é pouco o que sei. tampouco sei-me alhures
a você.
[... sei lá. é o que sai agora. vou ficar revendo.]
camacho
outro lado
carros
vão: dois
corpos
, freios de
mão e
travas
outro lado
olhos
[como carregar um espelho]
vêem:purra
estacionários
, nada move
por mais
que mais
se colo
que
outro nada
: dois
trancas e
tratos
, forçambos
lados
pouco mais
- até que -:
favos
...
camacho
[pra que falar. o que salta. nem sei se faço ou. se nem eu é certo.]
não olho espelhos
nem um segundo de amparo
passo
não me detenho
sombra
é o que raro
tempo que não
pompa
vaza
rola calhabaixo
o outro é vulto
um momento ainda
há pouco – de mim
tampouco – ali
o quadro alguém
o susto que é
vem
desperdiçar-me
10/05
Haja atos
cerco de
naja
nacos de
baixa carne
boca de
malha [raia]
d'olho q'arde
raja o rosto
[sal]imagem
provoca[iva]
- agora -
resta ver
que vai
se
...
vasta.
[um gesto basta?]
[assim, no corte. alguma coisa pra se trabalhar.]
Itiberê
Despertou Itiberê, com a fria sensação de uma lâmina rasgando sua carne, partindo seus músculos, castigando cartilagens, ossos e ligamentos. Despertou Itiberê de seu sono claustrofóbico, de sonhos cubiculares e respirações sôfregas.
- O torniquete vai conter o sangramento.
Da falta de céu irrompiam afirmativas, derretiam-se sons abafados.
- O concreto... Esse bloco é muito denso... Não conseguirei remove-lo... O braço?! O braço é supérfluo...
À voz intercalava-se a lâmina.
O grito Itiberê não gritava. O grito era Itiberê, o corpo era o concreto, a língua eriçada era a lâmina, a retina arrombada era Brás. Itiberê, o grito. O arremedo do grito que se tenta erguer entre soluços de cimento e simples fatias de céu. Ao lado do grito o vômito seco da véspera, a massa dourada, última reação ao cadáver da criança que bailava perfumes hediondos.
- A menina deve estar por aí, Brás... Não pisa aí...
- Cortaremos o braço e uma perna... Deve ser o bastante para puxar o garoto por aqui...
Os pais de Itiberê tinham nas faces a rigidez do cimento. O cheiro pregava uma negação do ser. O homem, vulnerável a qualquer confusão de concretos...
- Há um osso aqui que não se corta por nada... Dá-me ali aquela pá, mulher.
- Brás...
- A pá!
Sob os escombros Itiberê já visava seu rosto refletido n’água. Já via belas damas e já via carne sob suas vestes de veludo e já via anáguas e já via ventres e já via seios e já via seu rosto redondo estampado n’água... Nas mãos o último cheiro de sêmen e o banheiro vindo abaixo e o vaso branco a se desfazer como talco, como cal, e a água opaca, e o peso e o peso e a fatia de céu. O cadáver pueril, o vômito, o sono comprimido, e agora a lâmina. E os dentes trincados ao estampido da pá rachando o fêmur.
- Brás!!!
E a pá. E a pá, e a pá.
- Brás!!!
O fim dos tempos, enfim. Brás e Aurora viviam, contudo. E Itiberê, estavam certos. Luma já era da terra, como dissera Brás, sua estrutura corpórea não resistiria à fúria das fundações de ferro e concreto. Brás e Aurora viviam como às avessas Adão e Eva: dois derradeiros no mundo, buscando dos domínios da morte o descendente.
- Quebrei! Quebrei! Vamos puxá-lo.
Demente, Aurora cambaleava, embebida no sangue vertente das pedras do forro, da cerâmica do piso, no sangue difuso nas pedras, na casa, em tudo.
- Quebrei! Vem mulher!
A têmpora cravada no solo, Itiberê, à beira do resgate, sentiu novamente o braço implacável de seu dissoluto soterramento. O braço, no entanto, o puxava, buscando um parto do útero da terra. A têmpora ralou-se.
- Força mulher!
A fatia de céu, o negro, o sufoco, o céu. O céu.
- Itiberê!
As vistas empoeiradas tocaram na face de Brás. Titubearam, beijaram a face de Aurora. Itiberê, mutilado como o mundo, sorriu o sorriso das pedras. O corpo esmagado da irmã, o vômito, o último cheiro de sêmen vibraram nos seus sentidos confusos. A lágrima da mãe rosnou, feroz. O peito do pai se abriu numa explosão de gestos, frases, gostos e desgostos. O piso branco que agora o sustentava mergulhou, redentor, num banho de mármore quente e acolhedor. Duas moças passaram e sob suas vestes o demônio empunhando um crucifixo. Itiberê sempre temera os demônios. E por demais os que se ocultavam sob as saias e sob as carnes e atrás dos olhos. Itiberê cerrou os olhos até a medida dos concretos que outrora fatiavam seu céu.
- Itiberê... Por amor de Deus, filho...
- Filhote...
Itiberê cerrou os olhos, afinal, até sentir nas costas mais profundas o calor da cerâmica. Itiberê cerrou os olhos, afinal, até a medida do abstrato mais profundo.
Henry Grazinoli 8/99
confuso
o fuso em
fer
infuso
umbigo
rijo em
fer
difuso
embebo
fer e
fluxo
divisuor
e só em
fer
sou só
de.
[de hoje pouco. por muito pouco pude. vê-la.]
mas nos.
mais nós
que não;
mais dois
que dós.
sem se
nem não.
[que porra é isso? sinto? expero? espurgo?
sei lá que nem sei que é lá
porque aqui é que
casa comigo?
não cansa dessa
situ[in]
ação?
como cansar do que me descansa?
como descansar
se nem.
e sempre interrompido.
sem.]
pedra
concrasso cálculo
quebra
queira que não
cábula
regueira que seiva
e falo:
deita
que o tem
po é ao
contrário
e sem
cuidados
sempre:
a noite
[podia ser bem melhor, eu sei. mas não cabe. e é o tempo - nosso
adversário, tolo - todo. o.
onde a pele começo?
silêncio. um eco do seu nome engasga. onde?
sem pele ou porte que alquicerce se você de longe.
o chão range. é rápido, porque tão frágil...
preciso de férias. creio que ...samos.
somos
não contidos
mas contatos
e enquanto
rentes
úmidos
tantos
que na
morados.
não tem saída. elas vêm sempre.
tenho que te encontrar agora.
fome,
camacho]
[uma confusão de doença e espera. era que não chega. e agora... desculpem a febre, não escrevo bem, sobretudo disso. mas é fruto. vale.]
o relógio marca minha febre. temporatura pulsamento.
deito por sobre o coração e não serve. exprimo contra a parede.
nada além dessa mancha de umidade.
sou eu?
coisa que não.
é um querer de mim que me arde.
durmo rápido demais e acordo com sono. não posso descanso.
como aos goles
bebo mastigando
alguém que não dilui.
suo tanto.
soco os cantos do crânio. não saio.
a descarga está quebrada.
a barra da blusa molhada, os lençóis não secam.
é tanto não que começo a achar que ganhei alguma coisa.
onde encontro?
é um lugar
(um ponto)
um pranto?
...
PFC
no fundo
é qualquer um
igual
e qual
e ela
altera
inteira
ciclo
e ceia
rumo
que se diz
junto
muito
é
e
ainda
espelha
esfera
apeia
e ele
aceita
o corpo
refer
ente
marco
mordeado
em lençóis
e lentes
cheiro
enchente
por tudo
cozescada
prenhe
ela
elide
o tempo
iludilui
ele
por
tanto
dois:
ventres
09/05
[depois eu leio. publico primeiro. o bloco de notas mais instável que conheço. reflexo desse estado suspenso que não espera porque já. mas como praticá-lo? como vê-lo se não por sua lente?
PS. havia posto (de post, pode?) "caminho" invés de rumo e "dados" ante ventres. me pareceu melhor agora, mas como bloco de notas...]
[mais uma vez: improvício]
ela me diz
um filho
eu silencio
a cidade apressa
o passo
espera
o que refiz
é dela
esse sorriso
reverbera
[para minha afilhada, aos três anos de idade.]
GALOPADA
vem cavalinho
cavalinho vem
vem vem
cavalinho:cavale
cavale
cavale vale
cavalinho
cava cavalinho
vale
vale cavalinho
vá vá vá
corta cancela
cavalinho (não cai não cai)
cale cavale
colado em pele
pedale pedale e passe
cavalinho
ovelha e cavalo
passa cavalinho
a vaca a vaca
avança longe
cavalinho
quase sumindo
foge cavalinho
pra lá pra lá
pra lá do vale
onde some o dia
onde acaba a fome
até que afocalebagô...
...ô, cavalinho
colinho, colinho
ô, cavalinho
calma, colinho
calma, decola
04/02
SERINSTINTO
Um eu de crença cã
canida
incerto sobre osso aberto
e boca lida
livro do eu cão
ou outro eu livre
eu outro outro
eu larva
habitumor da língua língua escarpa
Andar na plena
frescar a têmpora pescada
olhatela delata cio
ócio que possuo
impede impera
pérola da nuca dela
ou dor que toma o âmago estômago
tumor de homem agorizonte
de homem eu
eu cio
cio eu cio
sigo cego
com a lâmina no céu
da boca ninando ela
canidescente
uivindo a noitraquéia
que úmida estremece
tudo tátil
até a última cortina
do meu desejo
12/01
[lembrando de um eu que era. depois pulverizado. e onde?]
Eu demorei dois anos para nascer. Não é história, não. É que é um caminho bem longo até o ventre de minha mãe. E eu fiquei por ali, acumulando.
Era um mundo único o útero de minha mãe. Com tempo e temperatura próprios e um silêncio...
Nunca houve um silêncio igual aquele. Era um silêncio de órgão. Uma canção que só dentro de minha mãe. Até hoje não sei se ela me ninava ou se me digeria. E lá ficava imaginando sombras. Imaginando...
É divertido pensar no que significa, para mim, a palavra imaginar. Quando feto ainda, construía um mundo apenas sugerido no ventre materno. Um mundo visceral e suspenso. Insinuando que existia quando nem isso me soava. Imaginar era estar submerso em sons e imagens, era criar e ser criado.
Assim, aprendi a falar antes da palavra. Talvez até antes do óvulo. Não que eu seja único, não penso nem peço isso. Tenho certeza que muitos são até mais conscientes que eu e devem sofrer imensamente com isso.
Não suporto a consciência. É o que me faz voltar ao ventre de minha mãe e submergir-me em silêncio. Até que os primeiros sons me tomem e o mundo se anuncie. Para que imaginando eu siga minha existência.
[desculpem isso. essas besteiras que eu digo. reaproveito reescritos.]
[tem seus problemas, mas é essa fase de reler e esperar.]
SOLITUDE
Meu dia
cansa
a bolsa
no antebraço
pulseiras
entretendo
duas ou três
coisas que me disseram
o marido que não tenho
o namorado
liga
não liga
o braço recostando o rosto
três recados:
minha mãe
desligou
e alguém falando
- alô
até se achar cansado
o pé vai
fora dagulha
e espalha
.estala.
Luz
geladeira
nada
Luz
banheiro
boiler
água
Luz
tv
cinto
que vou enrolando
canal e
Luz
nem fecho o olho
nem vejo a tela
botões
um depois
um de novo
dedo que levo
ao colo
me leva ao banho
ao chão
ao choro
soluço triste
triste
triste
...
10/01
[muito narrativo ainda. e um motivo:]
[ainda na espuma. vão uns antigos à tapa]
IMPROVISTASSÃO #1
de toda distância
destecem dois
descem tanto
que estendem
tudo ao
minuto meio
tempiterno
a dupla
distende o
dois até
o outro
um
e outro
disformados
meio faço
eu e ela
e ela
me desmede
canta
e me decanta
e o resto azula
01/02
[e um resto de percepção sem a sua marca d'água(dela).]
a atendente
sempre ri
de quem te
pede
remédio
e bálsamo
semblante
11/01
[é um ato de exposição. desnudar-se aos rebocos até o vergalhão ficar exposto.]
retorno
a uma paisagem
nossa
onde
a cidade
não alcança
e o tempo
passa com desleixo
porque não se conta
o beijo
o corpo desmonta
o couro
o queixo áspero
em sua nuca lisa
e esse desespero
que é sempre
o quase
que delícia
...
Só pra fazer besteira e escrever qualquer coisa que me viesse ao
praticar você no alcance. Pra ver se o paladar fica doce. Pra ver se
posso digerir a noite.
E não ser distante, mas tanto
teu
que tua carne.
Camacho
[volta, certo que retorno é jeito mais torto de ser quem é, mas volta.
e diz que passou um malho na cintura delgada d'ampulheta. quem acredita?
antes de ir do avesso, viu o inverso verbo vértice. e é de se espantar
que aguente a queda que a volta inventa. onde a força?
"ela se debruça e diz:
camacho
cama macho
cacho
ele é sugado."]
procuro a terra
com os pés
o pouco que tens
na boca
aldeia e aléns
tez rosca
três dedos
que semeio
sono sêmen
imo de mim
no timbre
de seus seios
Desculpa o final apressado, mas quase perco a hora. Te ligo mais tarde.
O mais cedo possível.
[enquanto ainda não processo os acontecimentos das últimas semanas, colo aqui algumas impressões de um pouco antes da tempestade.]
fervernanda
inplásciva
descanta
encama
cachos e
resguardos
a noite
nananoite
nanonanda
percoute
enderme
nonadei
ressona e
abserve o
leito vazo
que
tersegue
...
[estou cansado. meu corpo como exaustor de mim mesmo. vou tentar alguma coisa mesmo assim. o bom é que se sair deformado aqui não tem espelho.]
é um dia de manhã. ninguém acorda.
passos: quem ouve? quem move?
árvores?
as portas abertas e lebres em sesta. o asfalto ferve a sola dos autocarros.
tudo parado.
fixo e farto.
apenas o som dos pés no espaço. as ruas todas se atarraxam nas cerdas da escova e crescem.
o homem que eu poderia ser anda a meu lado
mas não me reconhece.
[vazio,
desculpa a bagunça que não faço.
camacho.]
[achei que não teria título. sobrou aquele apêndice (ou titilo). um pósalgumacoisa. bom, leiam em voz alta.]
ando tropo
em trópico
distante
entregue
ao dente
ao antro
em que
foz cava
tua voz
corpos
entre
laços
ambos pólos
ombros logo
silentes
07/05
[pre]sentes?
[vésper[a]
o fígado fisga
ao engolir saliva
ela foge
e finge
nem saber
da vista
o corte sem capote
alcança a crista
ela morde em
mármore en-
gole carne
desmolde
entende que a verdade
atende a quem invade
e veste
a pele do vazio
ao cair a tarde.
07/05
PFC
o eco
no vácuo
não recolhe
desfaz
esvai
some
...
06/05
[um ponto de improviso... vamos ver o que é isso. se não gostar eu digo. quem escutar dispare:]
a tarde ficou feia do meu quarto. uma vida inteira respirando errado.
andando embotado entre bueiros e barracos e dormindo no escarpado meiofio enquanto o sono é fátuo.
a tarde é um sorrisalgado. o queixo entre meus lábios. é tão fácil ficar cansado.
a pé ou de carro é tão fácil.
numa esquina é um trabalho. escorre uma carcaça do telhado. um copo capo meio vazo.
uma vela quase. a máquina telâmina reflexe. a rua se mexe até ruir o coletivo.
longe dali meu risco. meu nome na boca do precipício. a voz é fosca; irresistível.
só pra começar o papo: tira a música do maço.
não acho minhas chaves.
casa comigo
que eu nem assino.
ficou feia, a tarde.
a...
e a vida me combate.
Paciência aonde se o futuro é ontem?
Essa é uma virtude espelho, de que adianta a espera se o mundo é mais ligeiro?
Aguardo, paciente, a resposta...
06/05
[réplica ao post aplicado por Maldito Vegeta no dia domingo (sem trocadilho amigo)]
duas asas
negras
como pedras
o vértice entrega:
nenhuma delas
pesa
a hélice eleva
sua perda
graça.
é tudo represa
ainda que sem
certeza
06/05
[este é do ano passado. setembro. tudo que escrevi desde então veio daqui.]
eram braços
ela e ele
acentos lassos
uma escrita
sem pedra
sem luz
sem carne
eram dois
tão perto
que não partes
explícitos quase
eram dois
sem erro
e sem alarde
enquanto o dia
se fazia tarde
espreguiçavam
sem pressa
(um
por sobre o outro)
como cobertos
pela certeza
eram dois
sob o lençol
da lua acesa
eram tecidos
em lágrimas
e colo
eram carinhos sonoros
eram amigos
eram íntimos
desde sempre
e à distância
eram
ele e ela
uma ausência de acaso
e um descuido
eram dois
tão perto
que não pares
eram duas verdades
perdidas
explícitas
quase...
09/04
PFC
toda saudade
quis sua pele
minha renúncia
por cima da minha
em suas unhas
lembrar com a língua
onde mais suada
oscilasciva ao ser
divisada e me
reter inteiro
em sua boca
quis me dissolver
no mais interno
mas você não estava perto...
03/05
PFC
[muito espasmódico este espaço. de repente inúmeros comentários, logo depois, morre. antes que eu desista. vou logo dispondo algumas brincadeiras desse ano.]
olhos claros
cabelos por cortinas
espáduas rasas
e um som
que só conheço
de estátuas
ela passava
com as mãos abarrotadas
segredos e sacolas plásticas
02/05
PFC
CANTIGAS DE PEDRA, SABÃO E ASFALTO
Cai, balão, cai
em teu destino escrito à fogo.
em teu fogo aceso à esmo.
em esmo contágio da fumaça.
em fumaça a trilha do trajeto
em trajeto enlameado do incêndio.
Em incêndio renovador da precaução.
cai, balão, cai
Cai que na fuga que incendeias
em dias de chuva
os sons, os toques calçados dos pés,
de vontade acelerada,
deslizam, escorregados.
Nos mesmos dias de chuva
senhoras de tarefa imensa
encharcam a roupa espumante
numa lavação ao meio-fio
até secarem defumadas
as peças molhadas no correr da água no meio fio de nova fragrância
maçã-verde.
E se mão qualquer, mesmo que diminuta,
obstruir sua passagem
verás mulheres sem vencimento
levando os filhos mátrios
à fila com tamanho de um vôo inteiro
feito sem fogo
sem rastro
sem precaução.
Um saco. Um sapo. Um cabeça de papel.
Marcha; soldados!
Uma vez na delegacia
e as ocorrências não calam
na voz da moça
encantadora
debruçada nas orelhas de abano
do filho Mário.
Que Mário?
Seu pai
preso nas novas cantigas e rapsódias.
Nosso consolo é que o filho nasceu azul. Não preto.
E pode ser ninado à cor do céu.
Tanto faço e desfaço para não fazê-lo e ei-me aqui. Editando minha própria seara. Infelizmente as coisas estão tontas e mal das pernas após o que parecia um recomeço promissor. Mas não me queixo não. Logo veremos algo mais. O filhote abaixo foi escrito para um trabalho com Henry Gaúcho Granzinolli, perdido nas páginas de outros tempos deste mesmo blog. Eu, por aqui. - Bernardo Curvelano Freire
A hipótese do nariz de palhaço.
Dos sonhos todos, há quem diga, que sejam lições e esquadrinhados de soluções de fontes oriundi de sabe-se lá onde. Ou mesmo quando. Pois sonhei com uma matemática um tanto quanto toda, com ares de ser mais, um pouco jornalística até. Se tratava do que é um duplo de dois, que me surgiu tal uma progressão infinita, mas geradora de uma aporia, uma indefinição estrutural mesmo. Se imediatamente o 4 seria uma solução objetiva e óbvia, da própria convenção da matemática e dos números inteiros (algo semelhante ao B+A=ba) logo uma mecânica dos substantivos começou a girar. O duplo de dois não é quatro. Este é o dobro. O duplo de dois é dois, mas não pode ser o mesmo dois, pois se posso repetir o dois à esmo, ele não pode ser o mesmo dois o tempo todo. Na verdade, cada dois é um dois específico, na trama que rege o dois como um todo de dois e seus duplos. Daí que o dois é regente, pois é o que configura o duplo dos outros números, sempre pela regra do dois, já que, por exemplo, se há um outro quatro, mais um quatro, é porque ele é conjugado com nossa experiência de um quatro anterior que serve como uma teoria de gênero sobre o quatro. Contudo o dois não pode reger a si mesmo. Precisa de um outro dois que não englobe todos os dois anteriores pois não pode ser regente de uma classe de números e ser regido pela mesma classe. É um paradoxo. Contudo, como faria o dois para reger o dois sem sê-lo e ainda assim mantendo a duplicidade remetida a essência do dois? Não parece, mas é simples.
Ele usa um nariz de palhaço.
Bernardo Curvelano Freire
É com alegria que finalmente publico um de meus contos prediletos. Não sei se sou ingênuo ou se a leveza do rapaz é tamanha que seu conto se lê tal uma brisa. Mas é certo que é uma bela peça de autoria muito bem subscrita.
ESCRIBIENDO EL PARAISO
“Quince minutos para empezar, maestro”, me grita una voz desde afuera. Me miro en el espejo y todavía no puedo creerlo.
Mi afición comenzó cuando mis papás me compraron mi primera máquina de escribir: una Brother 350 blanca y roja. Yo tenía 11 años y en el colegio empezaban las clases de mecanografía. De manera natural asimile la distribución de las letras y cuando la profesora nos hacía taparlas con cinta aislante, yo podía escribir páginas y páginas sin cometer casi ningún error. Desde el primer momento tuve un entendimiento perfecto con la máquina, pero nunca pensé que se tratara de algo fuera de lo normal.
Lo que más me gustaba en ese tiempo eran las carreras. Cuando la profesora decía "dictado", bastaba una mirada desafiante y los dedos moviéndose rápidamente a poca distancia del teclado: esa era nuestra señal, el anuncio que esperábamos ansiosamente, el disparo en la línea de salida. A partir de ese momento todo era concentración y silencio, un silencio profundo que era interrumpido únicamente con un sonoro "¡YA!", que casi siempre salía de mi boca y que casi siempre también, hacía que la profesora diera un pequeño saltico.
En esa época descubrí la lectura, pero para mí leer significaba solamente escribir: cada nuevo libro que mi papá traía a la casa era una nueva combinación de letras para ensayar en mi máquina. No importaba de qué era el libro, a veces eran historias de piratas o de ballenas que mi papá traía para mí, pero también me gustaba elegir cualquier libro al azar de la biblioteca y entonces escribía cosas que no entendía, cosas que estaban en otros idiomas, me encontraba palabras que jamás había oído y que nunca quisieron explicarme. Tuve que abandonar muchos de ellos porque me daba miedo seguir y otros me los quitaban con el argumento de que todavía no era tiempo para leerlos.
Casi todos mis amigos tenían un juguete especial que nunca abandonaban y que por lo general era un martirio para sus padres. Otros tenían una almohada o como mi hermano, una cobija descolorida y llena de rotos. La Brother fue por años mi obsesión de niño, e hizo desplazar en los viajes muchas otras cosas del baúl del viejo jeep amarillo de mi padre, porque no era lo mismo andar con una cobija que con una pesada máquina de escribir.
Mis habilidades con los teclados me llevaron dos años más tarde a trabajar en el periódico del colegio. Al principio solamente pasaba los artículos que iban a ser publicados, pero luego comencé a escribir mi propia columna donde daba consejos prácticos para escribir mejor a máquina y secretos de reparación, se llamaba “La esquina de la máquina”. No puedo mentir: mi columna no era una de las más leídas; tenía algunos adeptos, es cierto, pero nunca faltaba la carta al director solicitando respetuosamente que la columna fuera suprimida del periódico. Como era de esperarse el director tuvo que ceder. De todas formas continué trabajando copiando los artículos que era lo que mejor sabía hacer.
Fue en el periódico cuando conocí a la primera mujer de mi vida: ojos negros, pelo ensortijado, piel blanca y tres años mayor que yo. Por poco me hace empacar la Brother en el estuche y guardarla en el closet del estudio de mi padre para dedicarme todo el día a pensar en ella. Pero no pude. Tal vez eso hubiera cambiado mi vida para siempre, ¿cómo saberlo?
Después del colegio encontré varias formas de ganarme la vida sin necesidad de abandonar mi gran pasión. Trabajé haciendo escritos para estudiantes: ensayos, tesis de grado, y cualquier otra cosa que caía en mis manos gracias a un aviso en el periódico. También le ayudaba a mis tíos en la oficina escribiendo memorandos y documentos y hasta escribí discursos para un político muy conocido de la zona. Sin embargo, todos eran trabajos temporales y no me quitaban mucho tiempo para seguir copiando libros. Vivía con muy poco, en realidad no necesitaba mucho.
Creo que hubiera podido seguir viviendo de mi máquina y mi facultad innata para escribir si nunca hubiera ido a aquella fiesta; pero después de eso, mi vida iba a cambiar para siempre de una forma que jamás imaginé.
Las fiestas no me gustaban, yo era un hombre solitario, prefería quedarme en casa copiando algún buen libro. Sin embargo, un día decidí acompañar a mi hermano a la fiesta anual del club de la ciudad.
El sitio queda en el centro. Es un edificio viejo de tres pisos, decorado con alfombras rojas y lámparas gigantes que cuelgan peligrosamente del techo. Nos sentamos en una mesa con algunos amigos y conocidos de la familia, todos bastante aburridos. Bailé algunas veces, pero lo que más hice aquella noche fue beber. Y no era un buen bebedor, evidentemente, por lo que con unas copas ya estaba completamente borracho.
Lo que pasó entonces no sé aún si calificarlo de extraordinario o de algo completamente natural. Regresaba del baño un poco mareado y al pasar al frente del piano ubicado en un costado del salón, tropecé con un tipo gordo y calvo que al parecer estaba más borracho que yo y caí sobre el piano. Al hacerlo mis manos se apoyaron sobre las teclas y entonces todo fue una explosión, un relámpago, una iluminación. Mis dedos comenzaron a escribir sobre el piano. La música de la orquesta se detuvo de un momento a otro y la gente empezó a rodearme en una especie de éxtasis que ni yo mismo comprendía. Aquella noche toqué varios capítulos de “Rayuela”.
A partir de entonces mi inseparable máquina fue reemplazada por pianos de todo tipo y calidad. Y mis solitarias noches, se convirtieron en salones llenos de gente desconocida y de caras extasiadas y perdidas.
Mi fama se ha extendido por todo el país y el extranjero. Me llaman a dar conciertos en los lugares más insospechados y por sumas de dinero que jamás pensé tener en mis manos. Sin embargo, y pese a mis explicaciones, la gente no me cree. He hablado con verdaderos maestros e intérpretes, directores de orquesta, estudiantes de música, y nadie cree que lo que yo toco no es más que la reproducción sobre el piano, de capítulos de libros que he leído. “No es posible”, me dicen, “¿cuál es el verdadero secreto?”. No hay ningún secreto. Mis piezas musicales son libros, mis “originales” composiciones están ahí, en la biblioteca. Son capítulos de “Las nubes nocturnas”, de “Emblema”, de “El cuadro vacío”; son cuentos de Saldarriaga, de Borges, de Stuntz; son poemas de Taleniekov y Octavio Paz; son palabras de Kundera y de Martina Örnk.
Mis dedos se deslizan ahora sobre las teclas de un piano, pero casi siempre pienso en mi máquina y por instantes me confundo: piano, máquina, teclados, ritmo, y esa sensación de estar fuera, de desconectarme del mundo, de ingresar al vacío o al infinito o al paraíso.
El auditorio está repleto. Los organizadores me han indicado que es la hora. Me acomodo un poco el corbatín y salgo. Hoy voy a dar un recital de Rimbaud, precisamente aquí en París.
Rafael Gutierrez
Para desespero da classe artística, filosófica e científica, estou de volta rumo ao incompreensível. Devagar, polissemia e neologismo, me permitem fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo. No momento estou trazendo a público um sujeito de São João de Araras, berço da civiloização neo-ocidental. O tal, Kleber Felício, é o próprio menino maluquinho, arrombador de portas e um dos poucos sonetistas em atividade que não tomaram café com Austregésilo de Athayde. - Bernardo Curvelano Freire, confusor oficial da república, pela qual tembém é bacharel.
O Nascimento da Vida
Nasce um sol como se fosse um delírio.
Pois Deus não desfez a sombra do Diabo,
Que assopra lírios dentro dos meus olhos
E faz chover colírio no jardim.
O que nos uniu como ouro e mercúrio?
Espelhos líquidos inundarão
O céu inteiro com gotas vermelhas,
Mau cheiro de escuridão ao contrário.
Quando eu caí de encontro Àquele clarão
(E ele dizia para eu não seguí-lo),
O chão começou a vomitar sangue.
É com esse sangue que eu me aniquilo:
Aproximando ao olhar o que sou
E sujando meu nariz com Aquilo.
Kleber Felício
Pra continuar o processo saco o título: distanto. E sigo...
2. A bata roçando grama e pele. Ela busca a costura com a unha. Ajeita a coluna, alcança a bolsa e, dentro dela, o maço de cigarros. Filtro branco.
A curva da nuca e ele, ao fundo, se misturam.
O vento se anuncia no círculo das folhas e dos galhos.
O ar que se insinua pela grama,
entre os cabelos dela;
os dedos dele percorrem a grama,
entre os cabelos dela...
Pedra riscada. Fagulha e chama.
3. O sol.
Olho dele; súbita contração, pisca.
Nuvens sobre o.
Olho se descobre. Oscila em sua órbita. Procura por ela.
O olho dela sorrindo na penumbra das lentes. Olha para cima. Aos poucos desiste de ficar aberto.
Nuvens carregadas de.
Entre as pálpebras, esvaziado, um círculo preto circunda a íris clara e o buraco negro que ela encara. Esfera lubrificonírica, de onde todo sossego escorre.
Tudo chove.
O parque está vazio.
idealizar 12/14/2004 9:12 AM
dançar independe
de membros
vontade pros
é foco som
e ca(r)nalizá-lo
reassom
que mais faz pulso
que impulsão
depois o espaço
estado suspenso
de condução constante
e entrega instante
12/04
PFC
Ainda trabalhando nisso. Um pouco lento e obsessivo, mas beleza. Vai aí o início de alguma coisa:
1. Ele em primeira pessoa. De frente, seus olhos não parecem ter interesse algum. É um dia claro, muito quente, com céu límpido e nenhum sinal de vento. O sol é agressivo e separa a tudo. Ele se deita. Há muito verde. Um grande gramado urbano; crianças ao redor; riso. Que lugar é esse? E, dentre tantas coisas: o riso.
O rosto dela retorna do sorriso largo e alto que dera. Ela está deitada. A grama faz coçar o leve contorno de seu maxilar. Ela ri. O céu é imenso, quase de um azul isento. E se abre para ela. O sol no espelho do óculos escuro. O cigarro ao alcance. Sua mão vai antes do rosto. Depois o resto revela: alguém a observa.
Sustentar a sugestão daquele olhar o acalma. Uma nuvem assume o céu por um segundo e a expressão carinhosa, deformada pela violência do sol, aos poucos se revela.
Ela sorri tão de leve. Um sorriso que parece riscado em seu rosto por sombras de rendas celestes.