<$BlogRSDUrl$>

17.2.04


(está vindo... A espera podecantar obreiros, lucos de se ma_chucar.)

Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?Cadê?


ARAWETÉ, ARAWETÉ,ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ,
ARAWETÉ,ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWÉTÉ,
ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ,
ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ,
ARAWETÉ,ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ, ARAWETÉ,
ARAWETÉ, ARAWETÉ.

Ass: ARAWETÉ ARAWETÉ ARAWETÉ.

P.S. ARAWETÉ, ARAWETÉ ARAWETÉ.


Vejo porque tenho corpo tal e qual
Mas não sou igual.

(feito à quatro mãos: por João Tom Cruise e Bernardo Curvelano Freire)


|

16.2.04


(isso é demais... muito engraçado mesmo... agora, Curvelano, o cara não pega ninguém, é tudo um esquema da filha do Peréio, bom, foda-se. nunca ri tanto. parecia que estava lendo uma das esquetes do Monty Python. mas vamos continuar.)

ANTICINEASTA: a coluna do crítico incompetente que só faz remendo.

Não sou subversivo, mas subi.
Não sou um assassino, mas saci. (Maurício Pereira)
Não sou cineasta, mas cini.(emenda)
Não sou um cachorro, mas... AUAU!(Maurício Pereira)

Sobre o falecido festival de cinema do Rio de 2003;

Se as festas, nos cantos escuros, tem revelados inúmeros eventos fora da alçada do registro, e mesmo que eu esteja falando do quê uns e outros carregam nos bolsos, uma agremiação de festejos pode guardar o mesmo segredo em outras narrativas secretas guardadas na cavidade de nossas roupas (não são as roupas, elas mesmas, cavidades?). É onde guardava um caderninho empertigado.

E se a agremiação tiver o intuito de mostrar, isto é, ser o que chamamos nos tempos que vêm sido, de mostra? Se não for para ocultar pela ofuscação, toda amostra tem sombras. É próprio de sua figura, mesmo com refletores e projetores de luz. Desta figura, a fantasia não trai a sua face móvel e o bilheteiro assegura que não há cadeiras vagas. No entanto o ingresso é bilhado pelo segurança, a marca do furo do modelo do guarda. A ausência do rigor, a própria encarnação das estruturas.

O regime do festival, o entorpecimento da seqüência de imagens, todas retroativas, filmadas e reunidas, transcendem aos jogos de armar aos quais somos convidados. As fitas dançam ritmadas nas mãos de uma ginasta segundo um projeto secreto de luz somente para poder marcar a presença pelo fogo expectante. O projetor é a memória das aulas de engenharia, do registro bibliotecônomo das apostilas e do sonho dos Lumiére. Desta memória, mais mecânica nas festividades, o processo de almejar floresce, quase sacal, na neurose da companhia diante da qual todo processo ritual resume-se em compromisso cônjuge de pertença – como a renovação dos votos. E assim seguir à margem, cada um, que sem convite, soube ingressar ao testemunho da volúvel expectativa diante do cinema e das sessões imperdíveis a serem transmitidas pelos megafones autocratas dos que registram esta história.

Não há nada a dizer sobre os filmes, que mal começaram em mim.

* * *

(gentil interregno sobre um intervalo outro)

IMPROVÁVEL, embora questão.


De que forma, o que dizer
de uma piscina vertical
de ondas marcadas na cadência suave
do toque do vento
e que
às copas logo embaixo
assombram respingos de luz?

Ressalto a forma, pois, senão isso,
o quê?
Fora possível diante dos olhos mas
fora das vistas,
escravidão sem jeito,
marcada pelo defeito
de rasgar em linhas
o pretérito imperfeito
de imagens lascadas da memória
que a memória provou substância
em fim.

(só uma forma de me repetir bonitinho e parecer profundo)

* * *

Fazer a cabeça de malandro, bem depois do festival: letrinhas sobre o Trava-Conta.

É o que posso dizer do que o Conluio, que polui a rede de tecladores teladores com este blog, realiza. Tudo artesanal, um vulgar discreto jeito de conta de mentiroso que poderia ser muito. E foi o bastante, pois aceitar o desafio alhures é além da conta de um projeto de 100 metros rasos, embora com obstáculos.

O que faz um malandro quando engana um bicheiro, cata a mulher e a filha do cara e ainda se dá bem na fita? Não sei. Sei o que P.C. Camacho fez, enquanto Lia Eisenstein. Um filme. Henry Granzinoli, um roteiro e uma letrinha para rodar por aí na voz do Lucas Binário e seus Mamutes petropolitanos daqui (estou sem a ficha técnica e em uma noite não dá para decorar o nome de todos; foda-se). Muita câmera lenta, muita quebrada, e um público lotando o Odeon, quinta-feira última, em um espetáculo do “boca-a-boca” muito melhor do que aquela fachada do Luciano Huck, que, apesar disso, tem uma bela bunda (digo isso com restrições).

Muitas jogadas mostram o quanto Camacho estuda soluções importantes que adicionam movimento aos propósitos narrativos, como a chegada da Crioula (ainda sem a ficha técnica; foda-se) ou os tiros do Róbson Caetano (desse eu lembro o nome por mais de dez anos; desculpas ao resto do elenco, como exceção ao Peréio, que, bom, foda-se). A trilha bolada, em todos os sentidos, sugere um dos significados de less is more dada a propriedade que caracteriza o artesanato.

Mas o que mais me impressiona é que o cinema que P. C. Camacho faz em nada lembra sua poesia, aqui dentro (dentro? Digital tem dentro? Fora?). Não é piegas, não é hermético. É figurativo e evidente em sua criação, cuja apropriação se dá por processos metalingüísticos do expectador, e não do roteirista ou do diretor. Imagino se algo que ele Lia, e não evidenciou, levou-o a tal banca de soluções para este empreendimento de risco. (leia-se aqui uma carinha feliz, com dedões ofertando o troféu joinha). Imagino se Rodrigo Realengo seria hermético e barroco ao fazer cinema, pois o calor do filme, e sua sombra, é o próprio conto do Mamute do Subúrbio.

Tentei descer o sarrafo. Mas a mediocridade outrora proclamada por Camacho é realmente muito bem cercada. A começar pelo equivalente estrutural da mãe de Carlito Azevedo.

Ass: Bernardo Curvelano Freire, correspondente internacional.

|
# posted by Paulo @ 2:01 PM

15.2.04


essa menina
eu sei
porque você é calma
e anda num borrão de pensamento
e tranquila
me toca e me acalma
essa menina
porque você é linda
e foi forjada nas profundas
fendas da criação
porque você é linha, verso
e minha poesia, menina
eu sei
porque você acorda em silêncio
e me olha de olhos quase fechados
e quando eu te vi
pela primeira vez inteira
tinha uma lua cheia que não há
mas ela aconteceu na sua pele
e todas as nuances suas
num abraço me tomaram
menina eu sei que me tomaram

porque você veste minhas roupas
como pijamas feitos sob medida
essa menina
e você amassa meus sonhos
e deita comigo em paraísos
milhões de paraísos noturnos
e castelos nossos
sempre existiram menina
eu sei
porque você me sorri
de quando em de repente
e todos os seus sorrisos
como lâminas loucas me lambendo o pensamento
retornam quando você não está
menina
e eu sei que devo a você
uma sanidade que eu não conhecia
e eu nem sabia de início
que você era razão
um sacrifício para o qual me entregaria
num único momento menina
eu sei

que a eternidade mora em uma pessoa...
PFC
[coisa antiga. nem lembro quando. mas ainda sintetiza um ideal bobo, bobo, que me guia aos braços dela.]

|
# posted by Paulo @ 5:20 PM

4.2.04


P. C. CAMACHO, FIDALGO CUCARACHA.

Candesce à prova
Prosa fria, pia, pífia
poesia;
Difere em duador
Continta, mirra
marcaria.
Diferre em brasas
Na inicial cristálida
amonia
teu famedo, sesterco
que no rodeio fumegante
rodopia!

Seu chapéu de mão
de oito segundos
seguidos
um após o outro
O cai, de cu no chão
Em coitos fecundos
seguidos
um após o outro.

Ahhh!

Esse reto fugidio de aglomerado gentio
que famagera
no circulouco primaface que falsiverba...
Faz o seleto gentio cantar seresta
que singra no sinal sonhado
da feitura da grande armação
que os faz, sonoramente,
cair de cu no chào.

Entorpenso se não
hoje oufazia
caso planiface minha voz
ouriveria.
Em mormente, vós, Caramanchado,
eu crerlia
subsfrágil transmontano pessoano
plágio e tabacaria.

Ora, frágido Carrano...
Menos peço sua lânguida folia
se forneço lâminas, polias,
ao crimetério dorfeu machado
uma mórfida matriz sonhicular?

Claro que não!
Mas o faria!

Senão, Janomonta Entropista, como plagiar?

Faceiro embusteiro faz, tal poliedro,
decebolar estruturas
e nada encentrar.

Gostar o excentro faz diferença.
Desde que difescentrar
Não te coloque dentro, a se olhar,
Narciso que se vê em nucas,
as ancas do pensar,
seu sanguessuga-perdesejo!


Ass: Bernardonte Clifordino Dantas, o Curvelano Freire, Bernardo do Norte.
(Esse maluco acha que eu não sei quem ele é. Vem cheio de brincadeiras e badulaques, mas não passa de um comédia cheio de idéais que dariam sono a Sade [vide IVO VIU A LUVA logo mais abaixo])

|
# posted by Paulo @ 3:07 PM

(Segue a primeira pedra.)


O CALOR, O SUJO E A FEIA


Calor do cão. Nem as mais quentes fornalhas do reino subterrâneo do capeta chegavam perto. Os mais corajosos, aqueles que se aventuravam a botar o pé na rua aonde quatro sóis queimavam o lombo, andavam tristes. As janelas dos velhos casarões derretiam feito mariola. A hortinha de alfaces crespos de dona Marocas há muito evaporara.
A noite chegou num assombro azul, e, para o desespero dos mais otimistas, não levara o calor embora. Zezé, aflita, cozinhava mais rápido que os rabanetes de cavalo que acabara de botar no fogo.No sofá seu Gino delirava, amava o calor como nenhum outro.Um prato de macarrão com molho azedinho, um copo de cerveja preta (à temperatura ambiente), o suar grosso escorrendo pela medalhinha de São Jorge. O paraíso.
Esbaforida de ai meu deus a mulher aportou na sala exatamente na hora em que começava o periódico televisivo das vinte horas. Vale esclarecer que na casa de seu Gino só uma hora sagrada. A hora do jornal. Podia conversar, apontar cometa, dar chupão em namorado, chorar as mágoas, contar piada e rodar pião, mas na hora do jornal não senhor. A hora do jornal era a hora do jornal. E foi exatamente nesta referida hora que Zezé apareceu arrastando aquilo pelo rabo, e antes que pudesse conectar o monstrengo na tomada Gino cuspiu alto e feio em verdes pelotas de catarro bolorento:
_Você não vai ligar esse treco barulhento né?
Zezé teve vontade de chorar. Sempre tinha vontade de chorar toda vez que Gino a tratava daquele jeito. Esposa exemplar, mãe zelosa de seu filho pervertido, companheira fiel. Gino era mesmo um canalha de insensibilidade.
_O que você quer que eu faça? Não agüento com esse calor!
_Bate na boca mulher! Calor é coisa de deus. Olha o sacrilégio! Olha o sacrilégio!
_Mas está de rachar.
_Pois então rache.
_Mas...
_Mas coisa nenhuma. E faça silêncio que eu preciso ficar por dentro das notícias...
E mais uma vez Gino, o bárbaro, fingiu cruzar os braços para poder enxugar a mão suada no sovaco. Com uma lágrima equilibrada na ponta do cílio esquerdo Zezé correu para o quarto, enterrou a cabeça no travesseiro mal feito de tricô e esperou o mundo acabar. Não tratara bem da sogra no fim da vida? Não agüentara calada os bolinhos pingados, a humilhação e a tamanca voadora da esclerosada? Zezé, a mulher de cruzado que não chega.
Dez eternidades depois lá estava Gino na porta do quarto com sua calça cinza que não trocava a dezesseis longos dias (sacrifícios pelo Flu), cara de cachorro pidão.
_Quê isso Zezé - falou com voz de gente. Não fica assim não meu bem. Imagina, brigar por causa da porcaria de um ventilador barulhento.Vamos lá pra sala, vamos.
Tão bonito. Sentaram juntinhos no sofá rasgado e seu Gino fez questão de ligar o ventilador. Zezé, ainda meio alquebrada pelos esporros d`antanho tentou protestar.
_Não precisa...
_Precisa sim.
_Ué?
A hélice do ventilador não movera um milímetro, devia ser mal contato da tomada. Gino porcalhão trocou de tomada. Nada. Botou óleo, virou de cabeça para baixo, deu umas porradas com cabo de enxada e o ventilador continuou tão estático quantos os destroços do velho titanic, aquele do filme.
_Ah pai - era o filho que acabava de chegar do curso noturno. O ventilador não ta funcionando não, eu até ia levar ele no concerto mais cedo, mas acabei esquecendo.
Zezé e Gino dormiram abraçadinhos, o maior calor de todos os tempos. Lá fora, para além da porta trancada com ferrolho, no fresquinho da sarjeta, o filho, a contar as estrelas da rua morta.
Rodrigo, o guru de Realengo

(Ainda estamos muito ficcionais. Friccionado por Curvelano Freire, durante uma massagem tipográfica islandesa, enquanto fazia uso do correio virtual, abri mensagem do incansável guru de Realengo. Plácidos, ali, três p(c)ontinhos esperando. Não conheço o incansável Sapiente, mas ainda não palpiteiro como é devido a um frequentador deste ponto de convergência, ele que é, junto ao Maldito Vegeta Slade e Curvelano, meu quiroprático tailandês, o terceiro leitor deste limbo que permite a ilusão da realidade de um texto pela ilusão de que ele é lido. Acho que o climinha piada limita nosso envolvimento com as personagens e esse mundo, tão geminado ao nosso pela estufa que é seu ambiente, mas ali tem coisa. É bom, apesar de parecer tão familiar.)
P.S. Revisões e críticas e demais assuntos virtuais: binariogeral@yahoo.com.br

|
# posted by Paulo @ 2:06 PM

Vamos acabando com essa época de quase nada, é por isso que andam me envolvendo nessas macacadas? Pois agora respondo: óbvio! Mas não serei uma caricatura maior de mim mesmo, seguirei quase escondido, com brincadeiras que surgem de quem me surge. Portanto brinquem e ataquem: o espaço está silencioso e eterno.

|
# posted by Paulo @ 1:57 PM

This page is powered by Blogger. Isn't yours?