<$BlogRSDUrl$>

17.3.04


(Olha lá a luva, infame, deslize lesado, sobrecimada mesa dorme a luve tesa, represa impressa de ferrão infame, olhar de lá a luva, a mesa, o que há nessa gaveta, a graça que me impede e que repete: a luva, a mesa...
sei que no quarto ao lado: a cama, o ar-condicionado condiciona seu ruído e ela de relance. Era ela além da luva, cruzando como nem comigo pela porta. Volta a luva sobre a luva de sob-lú de ela cutânea, não me coço nem começo o levante: ainda me deixo na corrente sub-citânea. Ainda nem descarga e já me encarga estar com ela, além da luva ali, no seu novelo.)
(Ah! Além da encomenda especial está aqui sua crítica de besta [sabe de qual eu falo{demim}-?]. A minha pode ser uma merda porque se diz processo agora a sua? parece ser coisa de criança mimada que quer sorvete. Toma neném, Troma...)
PcCamacho;


Não sei qualé a sua, nem por onde anda ou por onde
vai. Só sei que se quiser, te dou um força com o blog.
Enquanto isso, lá vai mais material. Além do poeminha,
rola então a crítica de Domingo, livro que gostei, mas
vou achar razões para tirar pêlo nas próximas duas
aproximações, que possivelmente nunca irão acontecer.

Chute!

Ass: Bernardo Curvelano Freire;


Domingo é muito tempo: 1ª parte


Antes de tudo, Francisco Slade (autor de Domingo; Sette Letras) é francês. Francêsco Slade (sla-dê) tal seu emaranhado de pôs-embaixo de seu romance. Um matador que vive o inferno que são os outros e vive a todo instante o homicídio saunífero realizado pelo Mersault de Camus. Vive então um dilema, entre mortes e amores, de Anita (Anita! – que orgulho do falecido Roberto Drummond e do Jayme Monjardim; este morreu?) que é, pasmem senhores, existencial. Com direito à frieza do cálculo até que vinga um momento afetivo, um assassínio gratuito, a revolta do matador. Vale lembrar que não é uma cópia, tampouco influência declarada. Mal conheço o menino! Mas que as referências estão aí...
Jó é um matador cujo o nome só se revela em meio ao jogo de mortes e ao calor e mal-estar que domingo jorra a semana. Domingo? Poderia ser qualquer outro dia. É o calendário que fixou-se a tal ponto, que se tornou eterno em uma duração infernal, expresso na pele jorrando suor e na cidade em chuva, que sua à sua forma. Jó mata à mando e é isso que faz, frio e sem memória razoável. Até que mata em um domingo, dia que pedia a seu empregador, o Francês (Ou le vous slade avec moi?), para evitar, o quê o deixa febril como sempre fora o sentimento de domingo, então interno e delirante. O calendário se torna tatuagem, e todos os dias são domingo. O calor do momento de Mersault, de Camus, aqui vive um momento histórico diferente, de diferente temporalidade. O matador Jó vive todo o tempo sob a pressão do sol, e mata regularmente sem vontade – quando o faz afetivamente, pela primeira vez, já febril, o faz por revolta de forma imperdoável, e se torna estrangeiro somente como desertor. Sua insensibilidade era o jogo necessário, sua revolta não.
Vou ser claro, lantejoula e abajur. Quis sacanear logo de cara. E teria como. Ainda sob efeito do livro de Ferréz (Manual Prático do Ódio; Objetiva), e o realismo de assalto falido que ele aplica em personagens que usam e pensam palavras inverossímeis, pensei em disparar em Slade (Sladê, Francêsco). As aulas sobre identidade e alteridade, além da transformação de mulheres e bondes em abajures (luz e sacolejo), na boca de um matador em um lugar que me lembrou Santa Tereza, me pareceu mais imbecil do que o formalismo intelectual do subterfúgio que traiu Ferréz em seus bons momentos. Mas o tiro foi para as cucuias, de cu no chão, ralando. Nosso francesinho não é realista ao natural. Jó mata em eterna missa, realiza inquisições sobre identidade e memória, não somente digressivas como exaustivas, cabendo ao romance, em sua reimpressão nas obras completas de Francêsco, um índice onosmático com os conceitos e palavras-chave. Enfim, foi tudo de uma vez. Parece traduzido. Decerto, em algum sentido, foi, tamanha a improbabilidade de todo existencialismo pós-estrutural (se Francisco pode ser francês, reservo-me o direito de ser bahiano, tropicalista e, porque não, transnaturalista orbital siberiano; ou não) cujas seqüências de paradoxos existência-memória e eu-outro como fios condutores mediados por Jó, no curso da prosa, deixar de sugerir que o realismo naturalista perdeu rumo de alvo e transformou-se em estoque para privações futuras.
Entre Slade e Ferréz, romanceiros matadores, fico com a comparação Brasil/Exterior (1º Mundo), respectivamente, do Jobim, o Tom. Falta saber no quê o francesinho é uma merda, mas é bom.

Bernardo Curvelano Freire, castrador de Eunucos, chutador de cachorro morto e sparring de mendigo bêbado.

P.S. Não assisti Paixão de Cristo de Mel Gibson. Mas segundo pude ouvir em uma conversa de um garoto de uns 14 anos com os pais em um restaurante, o menino entendeu que Jesus apanhou pra caralho. Parabéns, Gibson! Trocentos milhões de dólares depois e tudo que o moleque aprendeu é que encheram o Cristo de porrada... Gênio!

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15.3.04


Fudeu!

Agora tá clicado eu tô bolado e vou seguir falando nessa porra. Percebi ontem o início de uma parada: som. O elemento mais canhoto daquilo que geral chama "audiovisual". Mas que absurdo! será que vão dizer? mas mas o que? Claramente o som cresceu meio atrasado (quem sabe a imagem grande dançava e suspeitava um som que era de quem falava na sessão) porque a foto é um registro mais novo que o sonoro. Será que o som é mais tapado que a imagem?

Porra nenhuma! A raça homem, que mais reage do que pensa, tá totalmente deslumbrada pela dimensão rasa da imagem (essa ilusão do toque que há muito não é satisfeita) e foi conforme a evolução dos binquedos que a brincadeira foi tomando graça. Mas quedê quem sabe porquê não se multiplica o jeito de se perceber a parada? Porquê ainda hoje tem maluco que acha que é muita informação e se ocupa com achamentos de quem vê não pode perceber as coisas se são diferentes e vêm de diferentes lugares?

Que levante o braço quem não liga a tv e o som e ainda lê o jornal de bobeira em casa.

(tenho que ir, mas isso aqui continua...)

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# posted by Paulo @ 12:25 AM

11.3.04


(Já que é processo aquilo que vamos discutir, então façamos no processo de se descobrir nosso objeto de estudo: “Domingo.” de Francisco Slade.)

CRÔNICA DO ATÉ O PONTO E VÍRGULA
É engraçado como Slade se coloca na história. Ele tece uma rede onde se protege e até impede que escapem seus deslumbramentos com o que descobre. Integra sua descoberta ao texto de uma forma que a gente perdoa, porque ele nos torna parte do processo. Ele escreve como quase agora e parece surpreendido por uma frase ou um vacilo narrativo, intervém no texto, mas não desvia o assunto, e a gente vai atrás porque parece que estamos descobrindo o livro junto com ele. Na escala devida, essa força constrói o ritmo da narrativa.

Não fossem alguns excessos (talvez tentando despistar sua idade, seu primeiro livro [um romance ainda!], talvez [e ainda assim ressalta] a crença de que o texto deva sobrepassar aquele que o há escrito) ele nos afundaria um pouco mais naquele universo, na cabeça do profissional retratado. Como nos momentos de descontrole, de maior interferência, ele toma o texto pelo cabresto e nos leva junto, nos entremomentos, onde tudo é construção narrativa e, para usar um termo sem lavá-lo, de natureza filosófica, é onde mais se concentra a pequena gordura. Coisa evidente depois da febre, excelente seqüência (sim, maldito, seqüência porque imagem+som) que segue para o conscientelírio da feira e desemboca na aproximação direta do narrador com o leitor, é um momento fantástico, mas a formalidade quase atrapalha o envolvimento. Slade faz bom uso da rede que tece: logo lembramos que o matador não gosta de indivíduos, daí, talvez sua dificuldade de se dirigir a um (ou tantos, no caso do livro em si) leitor, e Slade parece lembrar disso junto conosco, manda a menina pra casa e ataca mais uma crise de amadurecimento (processo que ele mesmo sofre através do livro) com sua personagem. Disso para a conclusão de que ele precisa se aproximar de outras pessoas e de que “conhecer o mundo é conhecer a si mesmo” é uma vírgula, ou melhor, um ponto e vírgula.

Aquele que o acompanha no Seu dinheiro de volta sabe que Slade vem desenvolvendo uma narrativa mais enxuta, certeira, ainda que os temas envolvam uma violência de que as narrativas não precisam mais para provocar movimento ou reação direta. Sei lá... acho que já estou falando merda. Vou continuar a ler o livro para ser desmentido.

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# posted by Paulo @ 1:52 PM

2.3.04


Imprimam
pesquem
pasmem
mimem
ninguém

espremam
que daqui sai
chorume
já que as mãos
consomem
aquilo que compõe
os sonhos

chutem
cresta matilha
aindrama via
de melodramia
03/04 PFC

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# posted by Paulo @ 6:54 PM

MODELO DE SENTIMENTO: algumas desaparições literárias.

Parte 1-

Quando li pela primeira vez, foi imediato. Borges era o grande autor, e eu estava convencido. Ele mesmo. Jorge Luis Borges. Toda a sua força narrativa e seu desaparecimento ao fim de cada conto me parecia nada menos do que obrigatório no que faz menção à educação intelectual de um leitor. Enfim, um autor radical.
O exemplo que me vem à cabeça é exatamente o de Pierre Menard, autor de Quixote, conto incorporado ao livro Ficções (no Brasil editado pela editora Globo). Nele temos o absurdo da cópia construído como a exatidão da criação pela revificação exata do algo anterior. E este algo é Cervantes. E a situação é toda muito particular, pois Cervantes (admito nunca tê-lo lido) é exatamente irreproduzível, pois assume o papel de fundador, que em uma lógica de dupla mão se torna non sense. Entendendo-o como fundador da ficção como a entendemos (ao menos esta é a aposta de muitos, a qual não corroboro, mas endosso que faz sentido, caso contrário não seria dito – semiologia, como sabem), Cervantes em Quixote é um mito fundador, uma unidade referencial de valor narrativo que é conferido como ab-origene. O que todo ficcionalista faz é retomar este mito, a possilidade de contar de forma verossímil algo irreal ou mentiroso (depende do uso do campo ativo da literatura de ficção). Contudo, há uma viciose neste processo.
O texto histórico é devidamente uma forma de verossímil irreal. Vejamos que a história em documento, principalmente o discurso historiográfico, como o de Evaldo Cabral de Melo ou de Michelet (escolha) é antes escritura, isto é, algo escrito. O primeiro papel do documento historiográfico é fazer crer o leitor que os signos sejam interpretados como verdadeiros, como indícios do fenômeno ao qual se reporta. Por um processo hipotético já inculcado, um pressuposto da leitura, a letra se torna a prova do evento, o que é falso. Ao mesmo tempo que ensina-se a ler de forma que significados em termos de hierarquia e valor assumam elementos correspondentes com a vida social vigente (em toda sua pluralidade), esquece-se que a letra e a palavra, assim como o discurso escrito, só é evento-fenômeno enquanto tal. Se relato com provas documentais que algo ocorreu, por um critério lógico mais rigoroso eu só posso dizer que “assim foi documentado” e não “foi assim que aconteceu”, pois o evento acessível fora somente a documentação.
Dada a força deste elemento em nossa hierarquia, a do enorme valor dos saberes institucionalizados (como em qualquer lugar, presumo), a ciência rígida da história é uma impossibilidade. Ao menos em seu sentido estrito. É aí que Borges nos suborna, ao nos fornecer os valores que nos são imprecindíveis. É exatamente ao nos fornecer uma documentação acerca de Pierre Menard é que sua impossível trajetória é concreta, pois aceitamos de antemão a propina borgiana, que é a relação presumida da documentação histórica com a verdade, mesmo que da bibliografia de um homem impossível. Ao fazê-lo, Borges reforça a própria estrutura do romance como um complexo que presentifica o próprio romance em toda sua força institucional: é uma escrita, é uma evidência, é suborno para aceitarmos muito do que não é razoável.
Neste sentido é que a figura analítica do interpretante do pragmatismo é tão relevante. Pois releva o aspecto possível do irracionalismo das humanidades o qual o argumento científico não pode participar, pois sua atuação é o de reforço posítivo da racionalidade dos métodos e conceitos diante de seu teste diante do empírico. Contudo, leitores não são cientistas e eu não sei até onde eles deveriam acreditar em cientistas. Leitores devem ler sobre Menard. Assim atuam como interpretantes que são, mas assumindo o papel que lhes é devido como projeto, isto é, como atitude transcendental, e não como prática dirigida pelo prazer de se entreter ou de participar do poder instituído (entendo ambos como sinônimos).
Foi então que me dei conta. Gosto de dizer que a literatura de Borges não tem corpo, de forma a traçar uma genealogia que perpassa Cortázar até chegar em Bernardo Carvalho (minha genealogia é pobre, reconheço, já que sou muito mais um palpiteiro do que qualquer outra coisa). A questão é que eu estava errado. Há corpo em Borges. Mas não é o dele. É o nosso, cujo sentimento de confusão o autor se apropria em milhares de formas, sugerindo aquilo que é um autor cônscio do poder se suas palavras: o efeito, efeito este atualizado a partir de um modelo de sentimento, cuja versão da ausência somente poderia causar confusão. É o shaman, o psicanalista, o bacante que nos interna o exterior, trabalhando a precariedade deste dualismo tão impróprio. É assim que a educação intelectual e a sentimental são a mesma e única coisa.
Diante esta aporia, que espero resolver em um modelo que preserve a unidade total dos eventos de experiência, o plano das aparições e desaparições na literatura que me chamarem atenção para serão motivo para uma pequena incursão no campo da elaboração do ficcionalista como o sacana que é.


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# posted by Paulo @ 6:39 PM

1.3.04



(Olha o Maldito aí na Rocinante. Parece que ficou maneiro, vou comprar segunda um exemplar. Vamos nessa?)

Finalmente a festa de lançamento de DOMINGO, meu livro! Conto com a presença de todos - ela é muito importante!
Aí vão os dados da festa:

Bar do Ernesto, 2º andar
Lapa, ao lado da Sala Cecília Meirelles
Segunda-feira, dia 08 de março
20:00 hs

Show com a banda
Tombo da Lage - Jazz, lounge, eletrônicos e experiências afins.

Chopp liberado (até certo ponto, é claro!)

Francisco Slade
www.seudinheirodevolta.blogspot.com



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# posted by Paulo @ 4:01 PM


(Olha o Maldito aí na Rocinante. Parece que ficou maneiro, vou comprar segunda um exemplar. Vamos nessa?)

Finalmente a festa de lançamento de DOMINGO, meu livro! Conto com a presença de todos - ela é muito importante!
Aí vão os dados da festa:

Bar do Ernesto, 2º andar
Lapa, ao lado da Sala Cecília Meirelles
Segunda-feira, dia 08 de março
20:00 hs

Show com a banda
Tombo da Lage - Jazz, lounge, eletrônicos e experiências afins.

Chopp liberado (até certo ponto, é claro!)

Francisco Slade
www.seudinheirodevolta.blogspot.com



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# posted by Paulo @ 3:56 PM


(TAÍ! Taí! Guaraná taí o que vocês pediram! Finalmente consigo publicar alguma coisa de outrem neste veículo tão pobre. Há um divertido sentimento de indignação que ainda assombra alguns solteiros. Aquele: Mas porque diabos!? e decidi abrir a nova fase com esse.)
(Curvelano, o Modelo de Sentimento entra essa semana caboclo, e se acalme.)


AQUELE DISCO DE CARNAVAL DO CAETANO


- Onde estavas? Te liguei...
- Fui malhar.

Sempre aconselhara a entrar na academia. Perna bonita, se engordar estraga.

- Foi malhar aonde. Academia?
- Não, no Juba.

Assim não dá. No Juba? Logo no Juba?

- O Juba diz que é apaixonado por mim. Coisa que você nunca disse.

Aquela conversa de meses atrás te assombrava a mente. Preferia ela gorda. O Juba, maluco. Careca ficava no espelho.

- Cresçam, cabelos!Cresçam!
- O que foi Juba?
- O poder da mente.

Se saisse com a Ana Paula não ia gostar, dar merda. Agora, ir pra casa do Juba malhar podia né?

- Cuidado com o Juba hein?
- Ara, por quê? Ele é legal. Me acha bonita.
Acha bonita, sei.Deve é ficar doido e correr pro banheiro que nem um desesperado.Tu abrindo e fechando a perna, tu dobrando o joelho, tu levantando pesinho.Debaixo da pele, o músculo.Tu marombando a panturrilha já dura.
_Gosto quando tu ficas com ciúmes
Já avisara, depois não queria reclamação.Ana Paula dormia do lado do telefone esperando uma ligação sua.Até desmarcava compromisso.Era só ligar.
_Na festa quem animou foi o Juba.
Estava cansado de ouvir este nome.Juba, Juba, Juba.Juba era os cambau! Ele que fosse para Califórnia.Não gostava do Elvis?Então?Os que fazer em Anchieta?
_Hoje malhei no Juba
E daí?Tinha internet.Academia não gostava.Joelho podre, que nem o Garrincha.
_Quer malhar no Juba?Ele deixa.Não cobra nada.
Tá bom, São Jubas Tadeu.Nunca escreveu um conto, e ainda era violento.
_Se eu descobrir quem espalhou isso eu mato.
Tudo carochinha.No fundo queria morrer.
_Droga de vida.O que fazer?Sou gordo.
_Não fala assim do Juba.
Sacaneava, mas se arrependia.Juba, bom rapaz.
_Vai ficar com o Juba vai!Já pensou ele em cima de você? Te amassa!
Nas brigas só dava Juba.
Juba,o tecladista da banda cover da Legião Urbana.
Rodrigo, O nauseabundo Englishman on Duty

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# posted by Paulo @ 3:49 PM

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