<$BlogRSDUrl$>

12.3.05





CANTIGAS DE PEDRA, SABÃO E ASFALTO




Cai, balão, cai
em teu destino escrito à fogo.
em teu fogo aceso à esmo.
em esmo contágio da fumaça.
em fumaça a trilha do trajeto
em trajeto enlameado do incêndio.
Em incêndio renovador da precaução.
cai, balão, cai
Cai que na fuga que incendeias
em dias de chuva
os sons, os toques calçados dos pés,
de vontade acelerada,
deslizam, escorregados.
Nos mesmos dias de chuva
senhoras de tarefa imensa
encharcam a roupa espumante
numa lavação ao meio-fio
até secarem defumadas
as peças molhadas no correr da água no meio fio de nova fragrância
maçã-verde.

E se mão qualquer, mesmo que diminuta,
obstruir sua passagem
verás mulheres sem vencimento
levando os filhos mátrios
à fila com tamanho de um vôo inteiro
feito sem fogo
sem rastro
sem precaução.











Um saco. Um sapo. Um cabeça de papel.
Marcha; soldados!
Uma vez na delegacia
e as ocorrências não calam
na voz da moça
encantadora
debruçada nas orelhas de abano
do filho Mário.

Que Mário?


Seu pai
preso nas novas cantigas e rapsódias.
Nosso consolo é que o filho nasceu azul. Não preto.
E pode ser ninado à cor do céu.



|

1.3.05


Tanto faço e desfaço para não fazê-lo e ei-me aqui. Editando minha própria seara. Infelizmente as coisas estão tontas e mal das pernas após o que parecia um recomeço promissor. Mas não me queixo não. Logo veremos algo mais. O filhote abaixo foi escrito para um trabalho com Henry Gaúcho Granzinolli, perdido nas páginas de outros tempos deste mesmo blog. Eu, por aqui. - Bernardo Curvelano Freire


A hipótese do nariz de palhaço.


Dos sonhos todos, há quem diga, que sejam lições e esquadrinhados de soluções de fontes oriundi de sabe-se lá onde. Ou mesmo quando. Pois sonhei com uma matemática um tanto quanto toda, com ares de ser mais, um pouco jornalística até. Se tratava do que é um duplo de dois, que me surgiu tal uma progressão infinita, mas geradora de uma aporia, uma indefinição estrutural mesmo. Se imediatamente o 4 seria uma solução objetiva e óbvia, da própria convenção da matemática e dos números inteiros (algo semelhante ao B+A=ba) logo uma mecânica dos substantivos começou a girar. O duplo de dois não é quatro. Este é o dobro. O duplo de dois é dois, mas não pode ser o mesmo dois, pois se posso repetir o dois à esmo, ele não pode ser o mesmo dois o tempo todo. Na verdade, cada dois é um dois específico, na trama que rege o dois como um todo de dois e seus duplos. Daí que o dois é regente, pois é o que configura o duplo dos outros números, sempre pela regra do dois, já que, por exemplo, se há um outro quatro, mais um quatro, é porque ele é conjugado com nossa experiência de um quatro anterior que serve como uma teoria de gênero sobre o quatro. Contudo o dois não pode reger a si mesmo. Precisa de um outro dois que não englobe todos os dois anteriores pois não pode ser regente de uma classe de números e ser regido pela mesma classe. É um paradoxo. Contudo, como faria o dois para reger o dois sem sê-lo e ainda assim mantendo a duplicidade remetida a essência do dois? Não parece, mas é simples.
Ele usa um nariz de palhaço.

Bernardo Curvelano Freire

|
# posted by Paulo @ 10:19 PM

This page is powered by Blogger. Isn't yours?