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12.3.05





CANTIGAS DE PEDRA, SABÃO E ASFALTO




Cai, balão, cai
em teu destino escrito à fogo.
em teu fogo aceso à esmo.
em esmo contágio da fumaça.
em fumaça a trilha do trajeto
em trajeto enlameado do incêndio.
Em incêndio renovador da precaução.
cai, balão, cai
Cai que na fuga que incendeias
em dias de chuva
os sons, os toques calçados dos pés,
de vontade acelerada,
deslizam, escorregados.
Nos mesmos dias de chuva
senhoras de tarefa imensa
encharcam a roupa espumante
numa lavação ao meio-fio
até secarem defumadas
as peças molhadas no correr da água no meio fio de nova fragrância
maçã-verde.

E se mão qualquer, mesmo que diminuta,
obstruir sua passagem
verás mulheres sem vencimento
levando os filhos mátrios
à fila com tamanho de um vôo inteiro
feito sem fogo
sem rastro
sem precaução.











Um saco. Um sapo. Um cabeça de papel.
Marcha; soldados!
Uma vez na delegacia
e as ocorrências não calam
na voz da moça
encantadora
debruçada nas orelhas de abano
do filho Mário.

Que Mário?


Seu pai
preso nas novas cantigas e rapsódias.
Nosso consolo é que o filho nasceu azul. Não preto.
E pode ser ninado à cor do céu.



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