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29.8.05


[mais uma vez: improvício]

ela me diz
um filho

eu silencio

a cidade apressa
o passo

espera

o que refiz
é dela

esse sorriso
reverbera

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26.8.05


[para minha afilhada, aos três anos de idade.]

GALOPADA

vem cavalinho
cavalinho vem
vem vem
cavalinho:cavale
cavale
cavale vale
cavalinho
cava cavalinho
vale
vale cavalinho
vá vá vá
corta cancela
cavalinho (não cai não cai)
cale cavale
colado em pele
pedale pedale e passe
cavalinho
ovelha e cavalo
passa cavalinho
a vaca a vaca
avança longe
cavalinho
quase sumindo
foge cavalinho
pra lá pra lá
pra lá do vale
onde some o dia
onde acaba a fome
até que afocalebagô...
...ô, cavalinho
colinho, colinho
ô, cavalinho
calma, colinho
calma, decola
04/02


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# posted by Paulo @ 2:43 PM

22.8.05


SERINSTINTO

Um eu de crença cã
canida
incerto sobre osso aberto
e boca lida
livro do eu cão
ou outro eu livre
eu outro outro
eu larva
habitumor da língua língua escarpa

Andar na plena
frescar a têmpora pescada
olhatela delata cio
ócio que possuo
impede impera
pérola da nuca dela
ou dor que toma o âmago estômago
tumor de homem agorizonte
de homem eu
eu cio
cio eu cio
sigo cego
com a lâmina no céu
da boca ninando ela
canidescente
uivindo a noitraquéia
que úmida estremece

tudo tátil
até a última cortina
do meu desejo
12/01

[lembrando de um eu que era. depois pulverizado. e onde?]

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# posted by Paulo @ 2:04 PM

19.8.05


Eu demorei dois anos para nascer. Não é história, não. É que é um caminho bem longo até o ventre de minha mãe. E eu fiquei por ali, acumulando.

Era um mundo único o útero de minha mãe. Com tempo e temperatura próprios e um silêncio...

Nunca houve um silêncio igual aquele. Era um silêncio de órgão. Uma canção que só dentro de minha mãe. Até hoje não sei se ela me ninava ou se me digeria. E lá ficava imaginando sombras. Imaginando...

É divertido pensar no que significa, para mim, a palavra imaginar. Quando feto ainda, construía um mundo apenas sugerido no ventre materno. Um mundo visceral e suspenso. Insinuando que existia quando nem isso me soava. Imaginar era estar submerso em sons e imagens, era criar e ser criado.

Assim, aprendi a falar antes da palavra. Talvez até antes do óvulo. Não que eu seja único, não penso nem peço isso. Tenho certeza que muitos são até mais conscientes que eu e devem sofrer imensamente com isso.

Não suporto a consciência. É o que me faz voltar ao ventre de minha mãe e submergir-me em silêncio. Até que os primeiros sons me tomem e o mundo se anuncie. Para que imaginando eu siga minha existência.

[desculpem isso. essas besteiras que eu digo. reaproveito reescritos.]


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# posted by Paulo @ 1:22 PM

18.8.05


[tem seus problemas, mas é essa fase de reler e esperar.]

SOLITUDE

Meu dia
cansa
a bolsa
no antebraço
pulseiras
entretendo
duas ou três
coisas que me disseram
o marido que não tenho
o namorado
liga
não liga
o braço recostando o rosto
três recados:
minha mãe
desligou
e alguém falando
- alô
até se achar cansado
o pé vai
fora dagulha
e espalha
.estala.
Luz
geladeira
nada
Luz
banheiro
boiler
água
Luz
tv
cinto
que vou enrolando
canal e
Luz
nem fecho o olho
nem vejo a tela
botões
um depois
um de novo
dedo que levo
ao colo
me leva ao banho
ao chão
ao choro
soluço triste
triste
triste
...
10/01

[muito narrativo ainda. e um motivo:]


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# posted by Paulo @ 3:45 PM

[ainda na espuma. vão uns antigos à tapa]

IMPROVISTASSÃO #1

de toda distância
destecem dois

descem tanto
que estendem

tudo ao
minuto meio
tempiterno

a dupla
distende o

dois até
o outro

um
e outro
disformados

meio faço
eu e ela

e ela
me desmede

canta
e me decanta
e o resto azula
01/02

[e um resto de percepção sem a sua marca d'água(dela).]

a atendente
sempre ri
de quem te
pede
remédio

e bálsamo
semblante
11/01


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# posted by Paulo @ 3:40 PM

15.8.05


[é um ato de exposição. desnudar-se aos rebocos até o vergalhão ficar exposto.]

retorno
a uma paisagem
nossa
onde
a cidade
não alcança

e o tempo
passa com desleixo
porque não se conta
o beijo

o corpo desmonta
o couro
o queixo áspero
em sua nuca lisa
e esse desespero
que é sempre
o quase
que delícia

...

Só pra fazer besteira e escrever qualquer coisa que me viesse ao
praticar você no alcance. Pra ver se o paladar fica doce. Pra ver se
posso digerir a noite.

E não ser distante, mas tanto

teu
que tua carne.
Camacho

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# posted by Paulo @ 6:58 PM

[volta, certo que retorno é jeito mais torto de ser quem é, mas volta.
e diz que passou um malho na cintura delgada d'ampulheta. quem acredita?
antes de ir do avesso, viu o inverso verbo vértice. e é de se espantar
que aguente a queda que a volta inventa. onde a força?

"ela se debruça e diz:
camacho
cama macho
cacho

ele é sugado."]


procuro a terra
com os pés
o pouco que tens
na boca
aldeia e aléns
tez rosca
três dedos
que semeio
sono sêmen
imo de mim
no timbre
de seus seios

Desculpa o final apressado, mas quase perco a hora. Te ligo mais tarde.

O mais cedo possível.

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# posted by Paulo @ 6:43 PM

[enquanto ainda não processo os acontecimentos das últimas semanas, colo aqui algumas impressões de um pouco antes da tempestade.]

fervernanda
inplásciva
descanta
encama
cachos e
resguardos

a noite
nananoite
nanonanda
percoute
enderme

nonadei
ressona e
abserve o
leito vazo
que
tersegue

...


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# posted by Paulo @ 6:37 PM

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