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19.8.05


Eu demorei dois anos para nascer. Não é história, não. É que é um caminho bem longo até o ventre de minha mãe. E eu fiquei por ali, acumulando.

Era um mundo único o útero de minha mãe. Com tempo e temperatura próprios e um silêncio...

Nunca houve um silêncio igual aquele. Era um silêncio de órgão. Uma canção que só dentro de minha mãe. Até hoje não sei se ela me ninava ou se me digeria. E lá ficava imaginando sombras. Imaginando...

É divertido pensar no que significa, para mim, a palavra imaginar. Quando feto ainda, construía um mundo apenas sugerido no ventre materno. Um mundo visceral e suspenso. Insinuando que existia quando nem isso me soava. Imaginar era estar submerso em sons e imagens, era criar e ser criado.

Assim, aprendi a falar antes da palavra. Talvez até antes do óvulo. Não que eu seja único, não penso nem peço isso. Tenho certeza que muitos são até mais conscientes que eu e devem sofrer imensamente com isso.

Não suporto a consciência. É o que me faz voltar ao ventre de minha mãe e submergir-me em silêncio. Até que os primeiros sons me tomem e o mundo se anuncie. Para que imaginando eu siga minha existência.

[desculpem isso. essas besteiras que eu digo. reaproveito reescritos.]


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